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Rivaldo Martins

Santista, com 43 anos, é triatleta e compete na categoria de amputados abaixo do joelho. Ele é patrocinado pela Brasil Telecom.
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Criado para o tratamento de ferimentos ou cortes cirúrgicos, produto é feito de látex

O Estado de São Paulo - 14/06/2004
O triatleta paraolímpico brasileiro Rivaldo Martins, que perdeu a perna esquerda na altura do joelho em um acidente de ônibus em 1986, venceu a 19ª edição do Ironman da Nova Zelândia na categoria challenger (voltada para deficientes físicos). A prova, considerada uma das mais tradicionais e duras do Circuito Mundial, foi disputada na cidade de Taupo. 
O brasileiro completou os 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida em 10h33min55s. O resultado teve sabor especial para o triatleta de 43 anos por dois motivos: foi a primeira vez que ele correu na Nova Zelândia e a competição marcou o seu retorno às provas longas após ficar dez meses afastado por conta de um atropelamento sofrido em maio do ano passado em Brasília, durante um treino de ciclismo.

A vitória na Nova Zelândia deu muita confiança ao brasileiro, que agora tem como objetivo principal neste primeiro semestre não só vencer o Ironman Brasil 2003, no dia 25 de maio, em Florianópolis, como também quebrar seu próprio recorde mundial, que é de 10h10min, marca alcançada no Ironman da Alemanha 2001

Com essa conquista, Rivaldo Martins acrescentou mais um título para o seu currículo. Ele se sagrou campeão mundial de Ironman em 2001 e pentacampeão do Ironman da Europa. Além disso, o triatleta é o recordista mundial da distância em sua categoria.

Outras vitórias de Rivaldo Martins

1º lugar no Campeonato Mundial de Triathlon - categoria Physically Challenged - México (2002)

1º lugar no Pan-Americano de Triathlon Brasil Telecom - amputados com prótese e amador 40/44 anos (2002)

1º lugar no Troféu Brasil de Triathlon - deficientes físicos/amputados com prótese (2002)

1º lugar no Mundial de Ironman - categoria Physically Challenged - Havaí (2001)

1º lugar no Mundial de Triathlon Olímpico - categoria Physically Challenged - Canadá (2000)

1º lugar no Mundial de Triathlon Olímpico - categoria Physically Challenged - Austrália (1999)

1º lugar no Mundial de Triathlon Olímpico - categoria Physically Challenged - México (1997)

1º lugar no Campeonato Mundial de Ciclismo - categoria Physically Challenged - Bélgica

Conheça esse campeão

Determinação de ferro


"Aos 12 anos, fui campeão brasileiro de natação.
Pedalava desde a adolescência. Corria sempre que podia.
Em 1984, quando assisti à primeira prova de triatlo realizada em Brasília, onde eu morava, me identifiquei imediatamente. Comecei a treinar no dia seguinte. Cinco meses depois, completei meu primeiro triatlo. 

Dois anos depois, estava no 5'0 lugar no ranking brasileiro. 
Um dia, assistindo a um vídeo de Iron Man, fiquei impressionado com a corrida e, principalmente, com Pat Griskus, o primeiro homem a terminar os 3,6 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e 42 quilômetros de corrida de um Iron Man com uma perna mecânica. Na hora,  eu telefonei para meu técnico para combinarmos o treinamento para que eu pudesse correr o Iron Man no ano seguinte. Infelizmente, esse treinamento teve de ser adiado. Alguns dias depois ver o filme, sofri um acidente de carro e perdi a metade inferior de minha perna esquerda.

Em vez de desistir, resolvi me reerguer e seguir adiante, Pat  Griskus não saía de minha cabeça;  se ele conseguia competir com uma prótese, eu também poderia.
Dois dias depois de sair do hospital, eu já dava umas braçadinhas na piscina. Passados três meses, já usava minha primeira prótese, que mal deixava me locomover.
Com a ajuda de amigos, rifa de carro, competições de natação para arrecadar dinheiro, entre outras iniciativas, consegui uma prótese melhor, que me possibilitava andar bem e dar minhas primeiras pedaladas.

Dois anos depois já com minha terceira prótese (dessa vez uma peça de titânio e fibra de carbono, especial para atividades físicas, participei de meu primeiro triatlo pós-acidente. Foi um short triatlon em Brasília, eu me lembro de tudo como se fosse ontem. A chegada foi incrível, muitas lágrimas. 

Em 6 de outubro de 2001, exatos 15 anos após o acidente em que perdi a perna, terminei meu primeiro Iron Man do Havaí. Eu já havia, após o acidente, concluído algumas etapas seletivas do Iron Man - minha prova preferida no triatlo , mas essa foi a primeira vez em que eu participei da final mundial.

Em 2002,  após algumas competições bem sucedidas nas distâncias olímpicas (1-5 quilômetros de natação), 40 quilômetros de ciclismo, 10 quilômetros de corrida), fui atropelado durante um treinamento de ciclismo, quando faltavam apenas dez dias para o Iron Man de Florianópolis. Fiquei de fora de todas as provas de Iron Man que havia programado para o ano passado: Florianópolis, Alemanha e Havaí. Foram dois meses longe dos treinos e das competições até me recuperar.
Após esse período, voltei com muita disposição e consegui os primeiros lugares em minha categoria no Brasileiro de Triathlon,  na Meia-Maratona do Rio de Janeiro, no Pan-Americano de Triathlon, Maratona de Nova York (minha primeira maratona)  e no Mundial de Triathlon (onde conquistei o tetracampeonato)

Muito mais do que a conquista de títulos, o que me deixa orgulhoso é saber que, como Pat Griskus foi um exemplo para mim, hoje eu sou um exemplo para muitos esportistas e paradesportistas. Não importa qual é sua deficiência física nem se você já nasceu com ela ou a teve por um acidente, como é meu caso. Hoje em dia existem esportes para todas as deficiências, é só ter força de vontade. No esporte, você vê que seus limites são amplos, as vezes até mais amplos do que quando você não era deficiente e ficava em casa vendo TV. Nosso paradesporto melhorou muito. 
Até as Paraolimpiadas de Barcelona, os atletas eram convocados um mês antes da competição. Cada um tentava dar o melhor de si e qualquer resultado que viesse era lucro. Nos últimos anos, estamos vendo um trabalho muito mais sério e profissional. Um exemplo disso são os atletas pré-selecionados para Atenas 2004, que estarão tendo um apoio considerável para todos os seus preparativos: bolsa-atleta, exames periódicos com fisiologistas e técnicos de competições internacionais para estarem atualizados no ranking mundial.

Tudo isso com o apoio do Comitê Paraolímpico Brasileiro.
Temos tudo para que as equipes brasileiras voltem de Atenas com o peito cheio de medalhas.

Atenas será, provavelmente, minha última paraolimpíada. 
Quero parar com as provas curtas, principalmente por causa de minha idade - provas velozes exigem muita força, enquanto nas provas de longa distância a experiência conta bastante. Até lá, vou aproveitar 2003 para competir em algumas provas de triatlo nas distâncias; olímpicas, mas darei mais ênfase nas provas de Iron Man, indo para a seletiva da Nova Zelândia em março, a de Florianópolis em maio a da Áustria ou da Alemanha em julho. 

Por último, pretendo estar mais uma vez no Iron Man do Havaí, onde buscarei o bicampeonato mundial. Em uma dessas provas, pretendo baixar meu recorde mundial, que é de dez horas, dez minutos e 28 segundos.
 

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