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Paulo de Almeida maratonista amputado ele colocou a prótese e saiu correndo por conta própria sem nunca ter participado de corridas antes Paulo de Almeida na Maratona dos Bandeirantes Sta. Bárbara do Oeste - 2001 |
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Na Maratona da Disney, que aconteceu no dia 09 de janeiro de 2005 - Paulo Almeida correu 42,195 km em 04h0. Patrocinado pela Fórmula Academia, o ultramaratonista e triatleta da ADD - Associação Desportiva para Deficientes, Paulo de Almeida, participou da 25a edição da Maratona de Chicago em outubro de 2002 chegando em primeiro lugar, na categoria amputados, marcando o tempo de 3:40 minutos. O maratonista também já venceu por três vezes a Maratona de Nova York, sendo recordista com a marca de 3:37 minutos em 2000. Paulo treina diariamente por seis horas: "Quando fico sem treinar por causa de algum esforço maior, meu médico e fisioterapeuta me dão apoio e incentivo. Já faz mais de três anos que treino e corro maratonas como forma de conhecer os limites do corpo", revela o atleta que, aos 36 anos, já participou de muitas provas, 23 em sua carreira sendo cinco somente neste ano. Depois de um acidente em 1998 que o deixou sem uma das pernas, Paulo de Almeida é um exemplo de superação e empenho. |
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As três vitórias que conquistei em Nova York foram bastante 'suadas', ressalta. Com os avanços tecnológicos em relação a próteses o corredor completa "ainda tenho um longo trabalho pela frente". | ||||||||||||||||||||||||
Acompanhe trechos de uma entrevista com Paulo de Almeida Em Pé - Revista número 4 - Ano 1, novembro/dezembro 1999 Objetivo: Vencer Amputado abaixo do joelho, recifense mora e corre em São Paulo. Usuário de prótese participa de maratonas de 42 km, competindo com pessoas dotadas das duas pernas. Já levou várias medalhas para casa. Só você faz os 42 km na condição de amputado? Eu acredito que fui o primeiro. Você corre com outros amputados? Não. Tenho competido com pessoas não amputadas. No Rio de Janeiro eu tirei segundo lugar na minha categoria, mas não perdi para uma pessoa amputada. A pessoa que chegou na minha frente era PC (paralisia cerebral), geralmente afeta o braço. Ele ganhou por dois minutos. Fui informado, no Rio, que a categoria para amputados ainda não existe no Brasil. A gente tem que competir com atletas que têm as duas pernas e não é justo mesmo. Competi no Rio, em agosto, essa prova de 21 km, juntamente com atletas famosos como o Elenílson e o Ronaldinho, campeões no Panamericano e sem deficiências. Como vou chegar na frente de um atleta desses? A gente tem que batalhar para mudar essas regras. Dia 4 de novembro estou indo correr nos Estados Unidos e para você ter uma idéia estou indo a convite de uma entidade de lá. Talvez eu tenha que correr com a camisa dos Estados Unidos, eu acredito que isso não é justo. É certo que os americanos estão me dando uma força, também tenho apoio da Fórmula academia de ginástica que tem o projeto Mão na Roda, e da transportadora Michilon, mas eu gostaria de ter um apoio de 100% no meu país. Dependemos do apoio de outro país para poder competir. Você correu a maratona de São Paulo? Toda corrida oficial que há em São Paulo eu estou indo, mas a imprensa fica focalizando o cara que está correndo de vestido de noiva, com as duas pernas, o cara que está de Tiririca, mas não está mostrando o cara amputado, que tem uma perna só e está lá correndo. Essa maratona de 42 km eu fiz em 4 horas e meia. Você começou depois de perder a perna? Foi. O meu primeiro desafio depois que coloquei a prótese foi esse - correr. Eu acredito que para o amputado a melhor terapia é correr. Entrar no esporte e ter o desafio. E como é que você se preparou para correr? Sozinho. Até para o Dr. Marco, que é o médico que me acompanha, e para todo o pessoal foi uma surpresa. Foi ele quem fez sua amputação? Ele fez a última. Há quanto tempo? Foi em 22 de maio de 98. Essa foi a última amputação, a que deu certo, porque o acidente foi em 30 de dezembro de 97. E você sozinho foi batalhando e treinando? Eu moro a 50 km do lugar onde vou treinar. Toda manhã eu acordo, pego um ônibus e vou até Caucaia, interior de São Paulo, e volto correndo para minha casa, sozinho. Aí eu corro até o meu limite. Se eu aguentar 30 km eu corro 30, se eu aguentar 10 km eu corro 10. E no começo você não tinha dificuldade, machucava? A vontade de vencer é maior. Machucar, machuca, até hoje machuca. Se um amputado falar que faz uma atividade forçada ou que participa de competição, ele não pode dizer que nunca tem nenhuma lesão, ainda que seja pequena. E o que você faz quando machuca? Eu piso em cima. Não paro Depois você cuida? Só depois. Eu nunca parei numa competição. Eu vou até o final. Esse é o desafio. Agora você está mais preparado? Qualquer atleta pode ter um problema numa competição, tipo contusão, com o amputado é a mesma coisa. Hoje a minha perna boa é que tem me dado problema, já a que está com prótese está bem. E quem vem acompanhando você agora? O Dr. Marco Antonio Guedes sempre fala de mim em suas palestras, mostra vídeos, mostra o que eu faço. Nesse sentido ele está sempre me apoiando. Foi ele que me indicou para essa prova nos Estados Unidos, a maratona de Nova Iorque. Também tenho acompanhamento de fisioterapia, uso um equipamento para fortalecer a perna. É um equipamento moderno, programável. Você acha que está ajudando? Ajuda sim. Faço duas vezes por semana porque não tenho tempo. Tenho que fazer a minha corrida diária de no mínimo 10 km. Sua prótese é FlexFoot? Sim, mas ela não é uma prótese para corrida. É uma prótese para caminhada, marcha normal. É mais um desafio estar correndo com essa prótese. Mesmo assim eu acredito que tenho uma boa chance de participar de uma olimpíada pelo Brasil. Eu e outros atletas como o Ricardo Inácio que salta e é amputado também. Quais são as maratonas que você correu? Em 23 de maio de 98 corri 42,195 km em 4:30 horas, em São Paulo. Deixei mais de 4.000 atletas para trás, só que estava mais gordo com 74kg, hoje com 64kg acredito que faço em menos tempo. Depois fiz a de 8km da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em 38 minutos. Fiz a mini-maratona do Rio de Janeiro em 1hora e 38 minutos, 21 km e deixei 3.000 atletas para trás. Participei do revezamento do Pão de Açúcar, 10,5 km. Como era meio-dia fiz em 50 minutos. A maratona de 10 km em Osasco fiz em 42 minutos. Essa prova de 10 km não é minha categoria. Eu corro para mostrar para a sociedade. Qual é sua categoria? Minha categoria é 42 e 21 km. Quando vai ser a Maratona de Nova Iorque? Vai ser dia 7 de novembro, 42 km. Como disse consegui apoio para ir para essa maratona, mas tenho corrido às minhas custas. Preciso de patrocínio para ter uma prótese de competição e para cobrir meu treinamento. Hoje o importante para qualquer atleta é o patrocínio. Tem mais alguma coisa que você queira dizer? Eu aproveito quando vou falar em faculdades de fisioterapia para dizer que temos muita carência de profissionais qualificados na área de fisioterapia, preparados para trabalhar com o amputado. Não só eles, mas médicos também. Hoje, no Brasil, o amputado para estar apto a usar uma prótese ele tem que passar por duas, três cirurgias sendo que ele poderia estar fazendo uma só, no máximo duas. A maioria dos amputados com quem eu converso teve que corrigir a amputação, amputando mais um pouquinho muitas vezes. Muitos fisioterapeutas não sabem o que fazer com o amputado. Já passei por seis meses de fisioterapia em vão. Na realidade não temos limites para exercício, os limites nós damos. Tem que haver conhecimento das necessidades do amputado. Ainda tem muitos desafios pela frente. Qual é o próximo? Ir até Brasília correndo. São 1.100 km que penso em fazer em 30 dias. Não sei se vai ser em 2002, depende do tempo para treinar. A minha intenção é mostrar aqui no Brasil. O meu trabalho vai ser esse. Por isso insisto que preciso de apoio, um patrocínio é fundamental. |
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