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Dr. Marco Antonio Guedes de Souza Pinto
A dor fantasma é um evento comum na fase pós-operatória imediata e pode persistir por algum tempo. Seu tratamento deve começar com analgésicos comuns e ser mais agressivo se persistir após administração do medicamento inicialmente escolhido.
Não concordo com a idéia do tratamento profilático da dor fantasma com drogas pesadas. Ela tende a aliviar e se tornar cada vez mais eventual a medida que o tempo passa e são instituídas atitudes como enfaixamento do membro residual para redução do edema e maturação da forma do mesmo, e ficam muito raros os episódios de dor mais importante quando o paciente utiliza prótese regularmente.
A meu ver, um fator agravante para o surgimento e manutenção da dor fantasma é a atitude da equipe terapêutica quando tende a valorizá-la exageradamente para o paciente, influindo no seu psiquismo frente ao evento.
A sensação do membro fantasma é um fenômeno extremamente frequente que não deve ser encarado como patologia, mas como um evento. Não existe razão evidente para que isso seja encarado como um problema. O paciente deve ser tranqüilizado em relação a esta sensação como algo normal e previsto. A conduta correta do profissional de fisioterapia experiente é utilizar essa sensação para mobilizar a musculatura remanescente do coto de amputação através do que chamamos exercícios do membro fantasma. Isso permite o trabalho muscular atento e aproxima o paciente do coto de amputação (membro residual) de maneira positiva, passando a cuidá-lo e considerá-lo algo eficiente e importante na sua reabilitação. A musculatura trabalhada vai melhorar o seu trofismo incrementando a vasculatura, melhorando ADM e permitindo uma maturação com melhor propriocepção do coto de amputação.
Se for feita uma boa mioplastia ou miodese, a resposta muscular vai ser muito mais efetiva e a capacidade do paciente de contrair a musculatura do coto e mudar a sua forma vai permitir o que chamamos de suspensão ativa do coto, ou seja, o paciente “segura” a prótese por dentro com o coto reduzindo a possibilidade de pistonagem e seus efeitos deletérios, favorecendo a marcha pela intimidade maior da relação coto/prótese, maior força muscular e maior propriocepção.
É, portanto, um erro encarar a sensação fantasma como uma patologia a ser tratada.
A permanência ou não da sensação fantasma vai depender, é claro, de como o paciente se relaciona a ela (e isso vai ser induzido pela equipe terapêutica) e a outros eventuais fatores que desconheço. Entretanto, não vejo razão para isso ser valorizado, só penso que trabalhar a sensação em vez de aboli-la com tratamento medicamentoso ou indução de qualquer tipo é muito mais lógico e correto, aproximando o paciente do seu membro residual em vez de afastá-lo cada vez mais como se tratasse de parte do corpo a ser evitada, como “o diabo foge da cruz”.
Saiba Mais... O fenômeno do membro-fantasma
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