Centro Marian Weiss

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Prótese hi-tech é motivo de orgulho
CORTESIA DA HANGER PROSTHETICS & ORTHOTICS, INC
Sem Vergonha de Exibir
Cameron Clapp usa seu par de pernas especiais para corrida em competições.

Jovem amputado exibe em público suas pernas e braço mecânicos e torna-se exemplo de uma nova tendência
Michael Marriott

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O supertriatlo Ironman Brasil revela incríveis lições de vida e histórias de superação
Esportes para Deficientes

O site Aventura Especial tem como objetivo principal a inclusão do deficiente físico no fascinante mundo do ecoturismo e da prática de esportes na natureza.

A EcoAção opera várias aventuras, como rafting, kayak fun, boia-cross, hidrospeed, canyoning, verticália e arborismo.
A EcoAção possui adaptações para deficientes físicos.

Novidades

Empresa lança curativo natural para diabéticos
Criado para o tratamento de ferimentos ou cortes cirúrgicos, produto é feito de látex

O Estado de São Paulo - 14/06/2004

Louro e entusiasmado, Cameron Clapp parece um astro adolescente. Vestindo camiseta desbotada, bermuda larga e tênis, ele percorre as calçadas apinhadas de Times Square, em Nova York, caminhando com confiança, com o mesmo sorriso cintilante que ilumina seu site na internet e fotos publicadas recentemente por jornais e revistas dos EUA.

Poucos, ou talvez nenhum, dos transeuntes têm a menor idéia de que ele é exemplo de uma nova geração de pessoas que está incorporando tecnologias revolucionárias ao próprio corpo, para superar deficiências físicas, e não têm vergonha de expor isso em público.

Para quem o vê pela primeira vez, Cameron é objeto de assombro - um jovem que caminha e fala altivamente nas suas cintilantes pernas robóticas. "Faço a coisa parecer fácil", disse Clapp que, aos 19 anos, ainda exibe trejeitos do garoto skatista petulante que foi antes de se converter no que ele qualifica de um "caso grave".
Cameron perdeu ambas as pernas do joelho para baixo e teve o braço direito amputado bem próximo ao ombro quando caiu nos trilhos de um trem, há quase cinco anos, nos arredores de sua casa em Grover Beach (Califórnia).

Após anos de reabilitação e experiências com uma série de próteses, cada uma tecnologicamente mais sofisticada do que a anterior, Clapp finalmente encontrou suas pernas: a C-Leg (Perna C).Lançada pela Otto Bock HealthCare, uma empresa alemã, o modelo combina tecnologia de computação com hidráulica. "Tenho muita motivação e auto-estima, mas talvez encarasse a minha situação de forma diferente se a tecnologia não estivesse, cada vez mais, do meu lado", disse o jovem.

Progressos retumbantes - obtidos com a utilização de materiais leves e, ao mesmo tempo, resistentes, sensores aguçados e minúsculos microprocessadores programáveis - estão devolvendo notáveis graus de mobilidade a amputados, disse William Hanson, presidente da Liberating Technologies Inc. Mas algo mais sutil e possivelmente de maior alcance está ocorrendo, dizem alguns estudiosos da área de tecnologia. A linha que durante muito tempo separou os seres humanos das máquinas que os ajudam está se tornando indistinta à medida que tecnologias complexas se tornam parte visível das pessoas que dependem delas.

27/06/2005
O que é carne e o que é máquina?
CORTESIA DA HANGER PROSTHETICS & ORTHOTICS, INC

NOVO CIBORGUE - Cameron Clapp perdeu as pernas e um dos braços atropelado por um trem, mas hoje usa próteses de alta tecnologia e faz questão de exibi-las publicamente, tornando-se conhecido nos EUA

A integração de peças de robótica ao corpo humano pode ajudar portadores de deficiência a ter uma vida melhor
Michael Marriott

Cada vez mais, pessoas amputadas, particularmente homens jovens como Cameron Clapp, optam por não esconder suas próteses debaixo de roupas. Ao contrário: alguns do 1,2 milhão de amputados dos EUA orgulhosamente lustram e decoram seus membros eletrônicos para que todos os vejam.

Há muito tempo um tema presente na ficção científica, a integração entre seres humanos e máquinas ainda é vista como o prenúncio de um futuro sem alma, habitado por ciborgues feitos de carne e metal. Mas universidades, empresas e as Forças Armadas pesquisam como ajudar pessoas com deficiências físicas a ter uma vida melhor anexando ao corpo peças de robótica - ou "exoskeletons".

"Existe uma fluidez maior entre o que é carne e o que é máquina. Surge algo como uma 'consciência de ciborgue'", disse Sherry Turkle, diretora da Initiative on Technology and Self (Iniciativa sobre Tecnologia e o Eu) do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Próteses como a C-Leg têm se beneficiado do avanço tecnológico puxado pelos computadores e telefones celulares. Segundo Hanson, da Liberating Technologies, microprocessadores menores e mais poderosos e baterias recarregáveis têm impulsionado o desenvolvimento de membros eletrônicos mais confiáveis.

Não existem estatísticas disponíveis sobre quantos amputados usam membros artificiais, mas dados do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde mostram que, em 1994 (último ano sobre o qual há números disponíveis), cerca de 200 mil pessoas nos EUA usavam membros artificiais. Enquanto alguns usuários estão ávidos por mostrar suas maravilhas protéticas, outros preferem tê-los modelados para parecerem mais humanos.

Além de vender próteses, a Liberating Technologies oferece 19 tipos de mangas de silicone para fazer com que próteses pareçam mais naturais. "Duas coisas são importantes: uma é a funcionalidade e a outra é a estética", disse Hanson. "Os dois fatores têm importâncias diferentes de acordo com a pessoa. É preciso pesar prós e contras."
Ele disse que uma garota de 16 anos talvez queira usar uma prótese que tenha uma aparência mais natural. Já sua mãe de 35 anos talvez escolha um membro mais funcional.

Hope Harrison, professora de História e Temas Internacionais da George Washington University (Washington), teve uma perna amputada em 1979. Aos 43 anos, Harrison disse já ter usado várias próteses, mas agora está satisfeita com sua C-Leg. Só que, ao contrário de Cameron Clapp, ela ainda prefere usá-la com um revestimento de aparência natural.
"Uma coisa é ver um homem com uma perna de exterminador", disse Hope, referindo-se ao personagem cibernético interpretado por Arnold Schwarzenegger. "Algumas pessoas acham 'legal'. Mas, neste país, o ideal de mulher é aquela com pernas finas e longas."
Já os homens mais jovens, particularmente aqueles acostumados a usar produtos eletrônicos pessoais desde a infância, não vêem problemas em recarregar a bateria de seus membros artificiais em público e conectar sua prótese ao computador para acertar o software", afirma Hanson.

"Adoro minhas pernas de exterminador", disse Nick Springer, de 20 anos, aluno do Eckerd College em St. Petersburg (Flórida). Ele perdeu os braços e as pernas em conseqüência de uma meningite meningocócica, uma rara doença bacteriana adquirida quando tinha 14 anos.
Como Clapp, Springer usa o sistema C-Leg acionado por bateria. Suas pernas possuem sensores que registram o momento em que os pés pisam no chão. M icroprocessadores situados na altura dos joelhos acionam o sistema hidráulico que permite ao usuário dar um passo muito parecido com o normal.
Forte e atlético, ele disse nunca ter tido vergonha de suas pernas, que podem custar, cada uma, mais de US$ 40 mil. Em sua festa de formatura, Springer chegou a usar um kilt (saia escocesa). Quando vai a shows de rock, costuma usar um par de botas da Dr. Martens.
Ele conta que, durante uma festa, as baterias de íon de lítio descarregaram. "Geralmente elas funcionam 30 horas, mas eu não tinha carregado completamente no dia anterior", disse. O jeito foi passar a balada sentado em um sofá conversando com os amigos enquanto suas pernas estavam conectadas numa tomada elétrica próxima. "Foi legal", disse ele.

Para Michael Chorost, autor do livro Rebuilt: How Becoming Part Computer Made Me More Human (Reconstrução: Como Ter me Tornado Parte Computador me Fez Mais Humano), as pessoas já se acostumaram a ver os outros carregando aparelhos tecnológicos de uso pessoal. "Começou com o walkman nos anos 80", disse. Por que não uma prótese?, pergunta. Chorost, 40 anos, perdeu a audição há quatro anos e possui um dispositivo cirurgicamente instalado debaixo da pele, atrás do ouvido. Ele precisa usar um microfone do lado da cabeça.

Após ganhar notoriedade, Cameron Clapp, que tem seu próprio site - www.cameronclapp.com -, assinou um contrato com o Hanger Orthopedic Group e tem viajado os EUA para mostrar que usar próteses não tem nada demais.
Fã de esportes, ele tem três pares de pernas: um para caminhar, outro para correr e um terceiro para nadar. Disse estar consciente de que chama a atenção em praticamente todos os lugares aonde vai. "Posso não ser bonito. Mas me esforço ao máximo", disse
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