Centro Marian Weiss

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Antonio Rodrigues Maciel, 38 anos
Técnico em enfermagem e atleta

Maciel adora praticar todo tipo de esporte. Ao lado, ele faz Arvorismo, em Brotas – SP.


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O Estado de São Paulo - 14/06/2004
O fluminense Antonio Rodrigues Maciel foi acometido por um acidente automobilístico em fevereiro de 2000.
Sofreu amputação traumática de ambos os pés sem sucesso ao reimplante. Permaneceu cerca de um ano na cama, se restabelecendo.
Há quase 3 anos, Maciel anda de próteses e há um ano e meio se dedica à prática do atletismo. Já participou de várias provas no Brasil (listadas abaixo) e foi o único bi-amputado a correr a maratona de Nova Iorque em 2002.

Nesta entrevista, Maciel conta um pouco de sua experiência e de como foi seu processo de reabilitação.

Logo após o acidente que causou a amputação de seus pés, como você imaginou que seria sua vida dali pra frente? Chegou a ficar deprimido em algum momento?
Maciel - Fiquei imediatamente louco para conhecer alguém que fazia uso de próteses. Não pensava em como seria a minha vida dali para frente, mas sim como faria para subir em duas próteses, já que não tinha nenhuma informação de como isso funcionava. A depressão sempre me assolava quando eu me aborrecia por uma questão qualquer. Eu queria dar um pulinho na esquina ou na praça, mas não era possível.

Qual foi sua maior dificuldade no processo de reabilitação?
Maciel - Foi ficar, com todo o meu peso, sobre duas próteses de uma só vez.

Quando você realmente ficou confiante de que iria alcançar seus objetivos?
Maciel
- Foi quando eu voltei de um passeio em Aracaju na casa de amigos. Eu havia andado nas praias entrado no mar com as próteses. Então eu pude ver que com as próteses eu poderia me locomover em qualquer situação e em qualquer terreno. Na parte emocional precisei de bastante ajuda. Tive um grande apoio psicológico da Dª Maria Luzia, psicóloga que me dizia: “Você tem que aprender a tirar proveito da situação”. Na época, eu não entendia o que ela queria dizer com isto. Hoje eu sei o que realmente quis dizer.

Sentiu-se vítima de preconceito alguma vez?
Maciel
- Não tenho esse tipo de sentimento dentro de mim. Eu acho que preconceito está principalmente na cabeça das pessoas que se fazem de vítima. Eu ando o tempo todo de bermuda. Me sinto bem e me mostro para as pessoas. Não tenho nenhum tipo de constrangimento por usar próteses. Sinto-me uma pessoa comum, com atividades comuns à minha realidade de vida. É verdade que a sociedade nos vê como coitadinhos, mas nós não somos coitadinhos coisa nenhuma. Somos pessoas “normais” amputadas, que fazem uso de próteses.

Quem mais o apoiou durante o processo de reabilitação?
Maciel
- A minha família, meus amigos de Aracaju e o CMW.

Quanto tempo se passou entre o acidente e você recomeçar a caminhar?
Maciel
- Levei 10 meses. Após sair do hospital tive que passar por um processo de cicatrização e, depois de 6 meses, operei para fazer a reconstituição dos cotos.

Fez muita fisioterapia?
Maciel
- A fisioterapia começou já no hospital e continuou quando fui para casa. Depois, fiz um tratamento intensivo de 25 dias no CMW.

Quando começou a correr?
Maciel
- Começei a correr após dois anos. Em um churrasco de confraternização do CMW conheci o ultramaratonista Paulo de Almeida. Lá ele me disse que eu iria correr e, dias depois, me inscreveu na maratona de revezamento da BR, em que corri 5 km sem treinar. Em seguida, corri 10 milhas do Tomate e passei a treinar. Comecei a sentir uma grande satisfação em praticar esporte.

Como você encara os olhares curiosos das pessoas nas ruas?
Maciel
- Eu acho legal. Quando pego as pessoas de surpresa me olhando, deixo-os a vontade para me questionar sobre as próteses, sobre o acidente etc. Já ando de bermuda para chamar a atenção e mostrar que a pessoa mutilada de alguma parte do corpo consegue viver bem dentro dos seus limites. O limite está na cabeça de cada um.

É difícil ser amputado no Brasil? Mais do que em outros países?
Maciel
- Posso falar com relação ao EUA, onde o programa de acessibilidade já está inserido na política de todos os órgãos públicos e na cabeça das pessoas. O portador de algum tipo de deficiência não é visto como coitadinho. Eles dão condições para que todos possam melhorar sua auto-estima e administrar as suas limitações.

Está confiante para correr a maratona de Nova Iorque em breve?
Maciel
- Com certeza. Já fiz a meia maratona do Rio de Janeiro e a maratona de Revezamento do Pão de Açúcar. São treinos para a maratona NYC, em que pretendo baixar o meu último tempo de 06h46m08 para 05h.

Quais são seus planos para o futuro?
Maciel
- Fazer o curso de Educação Física e de técnico em próteses.

Qual foi o papel do esporte na sua reabilitação? Você se considera totalmente reabilitado?
Maciel
- O esporte para mim significou ressurgir para a vida. Eu não tinha o hábito de realizar nenhuma prática esportiva antes do acidente. Foi legal me reabilitar através dele. Na verdade, eu aprendo a cada dia que se passa. O legal da reabilitação do amputado de perna é que, embora lenta, é progressiva. Você melhora a cada dia.

Quais atividades esportivas você pratica hoje em dia?
Maciel
- Eu corro de 10 a 12 km por dia. Faço musculação e natação três vezes por semana.

Antonio Maciel criou um site na Internet junto com o colega Paulo de Almeida. O endereço é: www.pernaeletrica.com.br 

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Relato e currículo de Maciel
Pára-atleta percorrerá os 800 km de Santiago de Compostela.
Un brasileño sin piernas consigue completar la Ruta sobre dos prótesis!.
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